sábado, março 17, 2007

Revolvo o meu desequilíbrio uma nova vez e mal reparo como, das sombras de ondas que espumo com a caminhada cambaleante, fumega discreta a essência do ontem. O intoxicante odor a cinza adverte-me, sugestionando a erosão e até a perda, e sei os momentos como uma sina. Onde estou, que torneei a esquina de algo e do demasiado vago? Onde estou, que se me metaboliza a palavra pela rua desértica em que secam as vestes, os estendais de ninguém?

Da cultura, céu escrito ou colocação, entornada pela providência e raridade, embebo o filho abastardado num esboço de perspectivar entendimentos. Reverto as transformações e entrego-me, fiel por uma escassa eternidade à solene procissão de alma que é a precisão da paciência que reveste, numa esperança de recuperar uma outra, mais sincera e interior... Mas uma rajada de aspereza sublinha o gesto perdido, o peso do livro por ler, e as suas capas de nunca, encerrando o conjunto a ilusão de enquanto eu me permiti fingi-la. Foi emanando, do gesto de folhear, a côr alva e sólida das páginas, em lugar da transparência do conhecimento.

Sopro a mentira da lágrima. Restam por baixo as sensações esporádicas, reactivas. É da circunstância que emanamos, não tanto do método ou costume. A flôr recolhida aprecia o seu centro, nocturna, e aguarda a carícia de um novo astro que a permita sorrir a serenidade do perfil, mesmo entre o todo categórico e uníssono de apreciações diatónicas do que é.